Método EVM (Earned Value Management) ou Valor Agregado

Entre as técnicas para desempenho de projetos, existe uma que mais me agrada para ser utilizada nas obras, a técnica de valor agregado.

Ela permite que o planejador análise com dados reais da obra o desempenho de custos e prazos em relação ao que foi planejado e depois reajustar o orçamento e realizar tendências.

Assim, podemos prever o resultado da obra em relação ao seu custo e prazo.

O método EVM compara o que foi planejado com o que está sendo executado e serve como parâmetro para o gerente avaliar se a obra tem gasto mais dinheiro do que o previsto ou se está gastando mais rápido porque a obra está adiantada.

Para implementar o EVM é necessário ter o cronograma físico-financeiro, que é elaborado através de uma EAP e gera a Curva S de custos. 

Aos que buscam ser gerentes de contratos ou ótimos planejadores, este método é essencial para a sua carreira.

Aquilo que não se pode medir, não se pode melhorar – William Thomson

As três principais grandezas que iremos ver:

  • Valor Previsto
  • Valor Agregado
  • Custo real

Valor Previsto

Vamos utilizar um exemplo da construção de uma ferrovia, referência: (Mattos, Aldo Dórea Planejamento e Controle de Obras: Pini. 2010), define bem o método e iremos utilizar ele para facilitar o seu entendimento.

Ao final do artigo, vou deixar também um vídeo com um exemplo de construção de edificação.

O planejamento da obra é admitido linear, prevendo a construção de 1km de ferrovia por mês, a um custo orçado de R$ 100.000 por km. A ferrovia tem 10 km de extensão.

Após 3 meses de obra, foi aferido o desempenho do projeto: haviam sido construídos 2km a um custo realizado de R$ 240.000.

Valor previsto (VP) é o custo que deveria ter ocorrido, é o custo orçado do trabalho planejado ou seja, calculado com o auxílio do orçamento/ planejamento da obra.

O VP é a linha de base, o que a equipe de execução deveria almejar. O VP é quanto deveria ter sido o custo até a data da comparação.

No caso aqui, VP = 300.000, não se compara somente o custo de 240.000, pois um planejador desavisado acharia que a obra estaria gastando menos que o previsto, o que não é uma verdade. Continue lendo para entender.

Para avaliar a performance correta da obra, devemos observar o que deveria ter sido construído naquele período e não somente o custo isolado, sem ter ideia do prazo.

E para isso que utilizamos o método EVM.

Valor Agregado

O valor agregado (VA) é o custo orçado do trabalho realizado, ele representa quanto deveria ter custado o que foi executado, deu nó no cérebro? Calma, é mais simples do que parece, vamos prosseguir…

No exemplo da ferrovia, o valor agregado é igual ao custo orçado dos 2 km que foram construído, então: VA = R$ 200.000

Custo Real

É o custo real do trabalho realizado, mostra o quanto custou o que foi executado até o momento.

O CR é a realidade e não tem nada a ver com o planejamento da obra.

No exemplo da ferrovia, o custo real é quanto custaram os 2 km que foram construídos:

CR = 240.000.00

Para ficar bem definido e para você não ter mais dúvida, veja o resumo:

VP = quanto deveria ter sido realizado (utilizando como parâmetro, o cronograma da obra)

VA = Quanto deveria ter custado o que foi realizado

CR = Quanto custou o que foi realizado.

Os três são em unidades monetárias e com as dimensões de custos:

Previsto, Agregado e Real nem sempre são iguais e estas diferenças são chamadas de variações, definindo duas variações:

A de custo e a de prazo.  

Variação de Custo

A variação de custo (VC) é definida pela diferença entre o Valor Agregado (VA) e o Custo Real (CR), ele mostra o desvio entre orçado e realizado, dando uma noção exata da performance de custo da obra.

Para o exemplo da ferrovia, VC = 200.000 – 240.000 = – 40.000, este valor negativo mostra que a obra gastou 40 mil a mais do que deveria ter gasto para realizar os 2 km da ferrovia.

Lembra que eu falei que um planejador desavisado poderia achar ótimo o valor de 240 mil sem entender sobre o prazo e o quanto realmente foi executado? Por esse motivo.

Variação de Prazo

A Variação de Prazo (VPr), é a diferença entre o valor agregado e o valor previsto:

VPr = VA – VP

Também podemos chamar de variação de progresso, mostra quanto de trabalho foi realizado até a data e quanto deveria ter sido executado de acordo com o planejamento.

No exemplo:

VPr = 200.000 – 300.000 = -100.000. Novamente, o valor negativo prova que a obra executou 100.000 a menos do que deveria ter realizado no período.

Índice de Desempenho de Custo

O índice de desempenho de custo (IDC) é dado pela fórmula:

IDC = VA/CR

Ele mostra qual percentual do custo real o valor agregado representa, ou seja, a que taxa a obra tem conseguido converter CR em VA, no exemplo da ferrovia ficará mais fácil de entender:

IDC = 200.000 / 240.000 = 0,833. O número inferior a unidade mostra que a obra vem agregando R$ 0,833 de cada R$ 1 gasto.

Índice de Desempenho de Prazo

O índice de desempenho de prazo (IDP) é representado pela fórmula:

IDP = VA/VP

Ele mostra qual percentual do valor previsto o valor agregado representa, que taxa a obra converte o VP em VA. O IDP nos mostra a distância entre VP e VA.

No exemplo:

IDP = 200.000/ 300.000 = 0,667. O número inferior a 1 prova que o cronograma está atrasado, o ritmo do cronograma é de 66,7% em relação ao que a obra foi planejado.

Conclusão

Este é um método muito eficiente e pode ajudar muito no acompanhamento da obra e na hora de tomar decisões, principalmente quando se identifica os desvios no início da obra.

Quando há uma diferença considerável nos custos do planejado com orçado, recomenda-se realizar novamente o orçamento para ter previsões mais realistas com o restante do projeto.

O ideal é que os valores sejam iguais ou próximo do planejado, já que um resultado acima da média pode ser pela execução mal feita dos serviços ou por compras de insumos de má qualidade.

Existe também fora tudo o que vimos neste artigo, algumas estimativas para término mas vou deixar este tema para outro artigo, assim não inchamos de informações e dividimos em 2 partes.

Espero que tenha gostado do artigo, comente abaixo e me diga se tem interesse em saber como realizar as previsões que faltaram aqui.

Caso tenha bastante interesse, vou colocar em pauta esta continuação do artigo.

Abraço e até breve.